Aumento de tarifas dos EUA pode impactar a economia mineira
Simulação da FJP aponta riscos de mais de 800 milhões em cenário de perda de 15%
A recente decisão dos Estados Unidos de aplicar tarifas de 25% sobre a importação de produtos de ferro e aço levanta reflexões significativas para a economia de Minas Gerais, estado com forte tradição no setor siderúrgico. Uma simulação realizada pela Fundação João Pinheiro (FJP) aponta possíveis impactos nas exportações mineiras e, consequentemente, na economia estadual.
O estudo da FJP explorou três cenários de queda nas exportações do setor de produção de ferro-gusa/ferroligas, siderurgia e tubos de aço sem costura: 5%, 10% e 15%. Os resultados, expressos em milhões de reais a preços de 2024, revelam o potencial impacto direto e indireto sobre o Valor Adicionado (VA) da economia mineira:
Cenário 1 (queda de 5%): Redução de R$ 279,62 milhões.
Cenário 2 (queda de 10%): Redução de R$ 559,23 milhões.
Cenário 3 (queda de 15%): Redução de R$ 838,85 milhões.
Esses números são estimativas preliminares, mas servem como um alerta para o potencial impacto considerando que Minas Gerais é um grande exportador de ferro e aço e que qualquer redução nas vendas para os EUA pode ter um efeito cascata em toda a economia do estado.
Contexto e detalhes técnicos:
Em 2019, o Valor Adicionado (VA) do setor siderúrgico mineiro foi de R$ 41,2 bilhões, representando 2,3% do VA total do estado.
No mesmo ano, as exportações do setor atingiram R$ 16,7 bilhões, equivalentes a 31,7% da demanda total.
As exportações de ferro para os EUA em 2024 corresponderam a 30,2% do total exportado para outros países. Tendo como base de cálculo a Matriz Insumo-Produto (MIP) mais recente, referente a 2019, este percentual representaria cerca de R$ 5,1 bilhões naquele ano.
Os resultados apresentados estão calculados sobre o VA e não sobre o Valor Bruto da Produção (VBP) e expressos a preços de 2024, tendo como base índices de inflação setoriais.
A FJP ressalta que os resultados apresentados são estimativas preliminares e que o impacto real das tarifas americanas pode variar. A instituição continuará monitorando a situação e divulgando novas análises conforme necessário.
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