Advogada Elvira Komel teve projeção nacional entre 1928 e 1932 e foi, possivelmente, a primeira mulher a votar em Minas Gerais
Belo Horizonte, 3/10/2026 – Em uma perspectiva histórica, a advogada mineira Elvira Komel (1906-1932) pode ser considerada a mais relevante liderança do movimento feminista em Minas Gerais entre os anos de 1928 e 1932. Possivelmente a primeira mulher a votar no Estado, Komel ganha agora uma obra dedicada a reunir uma vasta documentação sobre sua atuação: o programa editorial Coleção Mineiriana, da Fundação João Pinheiro, lança no próximo dia 10 de novembro, às 19h30, na Academia Mineira de Letras (Rua da Bahia, 1.466 – Centro), sua 55ª obra, Memória Política de Minas Gerais: Elvira Komel e o feminismo.
Além de publicar artigos na imprensa de Belo Horizonte, Elvira Komel conseguiu seu alistamento eleitoral em 1928 e já no ano seguinte exerceu seu direito ao votar para o Conselho Deliberativo da capital mineira. Rompendo inúmeras barreiras em uma época em que mulheres eram cidadãs de segunda categoria, a advogada participou ativamente de reivindicações pela educação feminina, pela participação das mulheres na vida pública e por sua independência econômica. Em junho de 1931, organizou o 1º Congresso Feminino Mineiro, iniciativa inédita e com uma pauta bastante abrangente em torno da conquista dos direitos políticos e sociais das mulheres. A morte precoce de Komel, em 1932, abalou o movimento feminista no estado.
Sem esgotar o tema, a obra Memória Política de Minas Gerais: Elvira Komel e o feminismo é um convite à pesquisa sobre o feminismo em Minas e no Brasil e uma contribuição para a reflexão contemporânea sobre as mulheres e o seu papel na política, sem a qual é impossível a conquista de direitos, liberdade e autonomia.
Relevância histórica – A organizadora do livro, a historiadora e pesquisadora da FJP, Maria Marta Araújo, destaca que a obra reforça a compreensão de que a perspectiva de gênero é essencial para que a política seja fator de emancipação e de garantia de direitos. “O conhecimento sobre o feminismo no Brasil e em Minas Gerais, com o olhar atento e aprofundado sobre as experiências e suas protagonistas, cujas estratégias e percepções da luta política variaram ao longo do tempo e das inflexões da conjuntura, é fundamental para o debate contemporâneo sobre o tema”, afirma.
Exemplares da obra impressa serão destinados a bibliotecas e instituições, e o público interessado poderá fazer o download gratuito do livro no evento de lançamento.
Fundação João Pinheiro | Assessoria de Comunicação
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