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Observatório do Trabalho publica boletim sobre autonomia econômica das mulheres de Minas Gerais

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Observatório do Trabalho publica boletim sobre autonomia econômica das mulheres de Minas Gerais

Edição especial analisa como raça/cor interfere nas oportunidades sociais

Belo Horizonte, 1/4/2026O Observatório do Trabalho de Minas Gerais, com a colaboração de pesquisadores da Fundação João Pinheiro (FJP) e de técnicos da Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedese MG), publicou esta semana o Boletim do Mercado de Trabalho Mineiro – Especial Autonomia econômica das Mulheres. O estudo reúne informações sobre a inserção na força de trabalho, motivos de inatividade, situação de estudo e trabalho, condição de renda por faixa etária, posição no domicílio, local de residência e arranjo domiciliar, permitindo estabelecer um diagnóstico consistente sobre a autonomia econômica da população de 18 a 65 anos em Minas Gerais, com ênfase nas desigualdades de gênero e raça.

De acordo com a pesquisa, mulheres jovens, independente da cor ou raça, apresentam uma probabilidade superior à dos homens de estarem sem exercer atividade ocupacional remunerada ou em busca de trabalho: 30,9% entre mulheres brancas e 32,0% entre mulheres negras encontram-se fora da força de trabalho, enquanto os percentuais masculinos são expressivamente menores: 17,0% dos brancos e 13,6% dos negros.

Ser mulher e ser negra, aponta o estudo, opera como fator agravante de exclusão produtiva, possivelmente devido à sobrecarga de trabalho doméstico e de cuidado não remunerado, associada a barreiras estruturais como menor acesso a qualificação profissional, redes de contato e oportunidades de emprego formal.

Números – No 4º trimestre de 2025, homens brancos tinham a menor taxa de desocupação (3,5%), seguidos pelos homens negros (4,6%). No mesmo período, mulheres brancas registraram um percentual superior (5,5%), enquanto as negras atingiram o maior índice de desocupação entre todos os grupos analisados (9,9%). Entre as mulheres de 18 a 29 anos, o principal motivo declarado para não procurarem trabalho foi “cuidar dos afazeres domésticos, filhos ou outros parentes”, somando 27,4% entre brancas e 50,8% entre negras, enquanto o motivo “estar estudando” era majoritário entre homens (63,0%) e mulheres brancas (46,0%), mas correspondia a apenas 20,9% entre mulheres negras e 35,1% entre homens negros.

Na situação combinada de trabalho e estudo, a proporção daqueles que “só trabalham ou procuram emprego” entre homens brancos alcançava 67,0%; entre homens negros, 76,2%. Já entre as mulheres, os percentuais eram significativamente menores: 50,0% para as brancas e 55,1% para as negras.

Na categoria “não trabalha, não estuda, não procura emprego”, as diferenças de gênero e raça também eram expressivas: enquanto 6,3% dos homens brancos e 9,1% dos homens negros encontram-se nessa condição, os percentuais entre as mulheres eram de 17,1% entre as brancas e alcançavam 24,9% entre as negras. Isso significa que uma em cada quatro jovens negras mineiras não trabalha, não estuda e não procura emprego. O cruzamento desses dados, porém, com aqueles que mostram que 50,8% das mulheres negras fora da força de trabalho dedicam-se a cuidar dos afazeres domésticos, filhos ou parentes, evidencia que, para essas jovens, essa condição não decorre de ociosidade ou desinteresse, mas sim da invisibilização do trabalho de cuidado não remunerado como atividade economicamente relevante.

No recorte de pessoas de 18 a 65 anos por condição de renda do trabalho e estudo segundo sexo e cor/raça em Minas Gerais, 77,0% dos homens brancos e 77,2% dos homens negros estavam na categoria “com renda e não estuda”, enquanto, entre as mulheres, esse percentual era de 56,6% entre as brancas e 55,0% entre as negras. Nessa mesma faixa etária, as diferenças de gênero e raça também eram profundas na categoria “sem renda e não estuda”. Enquanto 13,5% dos homens brancos e 16,8% dos homens negros encontravam-se nessa condição, os percentuais subiam para 31,8% entre as mulheres brancas e para 36,1% entre as mulheres negras. Isso significa que mais de uma em cada três mulheres negras adultas em Minas Gerais não possui renda própria e tampouco está estudando. 

Acesse o Boletim e saiba mais.

Fundação João Pinheiro | Assessoria de Comunicação

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