Vivemos no período mais desigual da história desde 1940 e a ideia, defendida por muitos, de que o progresso tecnológico traria soluções para os problemas sociais se configura no mínimo controversa, conforme os indicadores apontam o aumento da concentração de renda (AGENDA 30, 2021). Diversas pesquisas já demonstraram que altos níveis de desigualdade desencorajam a criatividade, impedem a mobilidade econômica e social, bem como o desenvolvimento humano, o que, em última análise, deprecia o crescimento econômico de qualquer nação. A desigualdade também está associada ao aumento da incerteza, da vulnerabilidade e da insegurança, minando a confiança nas instituições e governos e comprometendo a coesão social, o que desencadeia tensões e violência (CAVALCANTE, 2020). Tendo em vista o seu impacto multidimensional, é consenso por grande parte dos governos e da academia que o enfrentamento à desigualdade deve estar no centro dos esforços e políticas, tanto em países avançados quanto na América Latina. No entanto, ao se debater suas origens e as ações para mitigá-la, o consenso termina e a divergência torna-se a tônica dos debates.

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