Região de Uberaba é tema de webinar na FJP

A Fundação João Pinheiro realizou nesta quinta-feira, 21 de outubro, o Webinar Compreendendo as Características Socioeconômicas da Região Geográfica Intermediária de Uberaba. Esse foi o 11º de uma série de 13 eventos dedicados à apresentação da situação social e econômica das regiões mineiras. Realizada em parceria com a Escola do Legislativo da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) e a Associação Mineira de Municípios (AMM), esta edição contou com mediação de Luiz Bertolucci (Cepes/UFU).

A Região Geográfica Intermediária (RGInt) de Uberaba é composta por 29 municípios que somam 36.915,2 quilômetros quadrados (6,29% da área total de Minas Gerais). Nela, vivem 800,4 mil pessoas, o que corresponde a 3,8% da população mineira.

Aspectos sociais – De acordo com o Censo Demográfico de 2010, em termos populacionais, essa era a menor entre as 13 RGInt do estado. O tamanho absoluto e relativo de sua população está diretamente relacionado ao fato de ser formada por poucos e pequenos municípios. Uberaba, o maior, com 301 mil pessoas, concentrava, em 2010, 41% da população total da RGInt. Os outros municípios possuíam menos de 50 mil habitantes, à exceção de Araxá e Frutal: respectivamente, 95 e 54 mil habitantes; 52% dos municípios possuíam menos de 10 mil habitantes, e o menor era Água Comprida, com apenas 2,1 mil pessoas.

Segundo o Índice Mineiro de Responsabilidade Social, na RGInt de Uberaba estão localizados apenas 1,4% dos municípios carentes do estado e 0,7% da população do estado que vive em municípios carentes. Por outro lado, a RGInt concentra 4,2% dos municípios afluentes do estado e 4,5% da população do estado que vive em municípios afluentes. No entanto, nas dimensões Saúde, Educação e Segurança Pública a participação da RGInt no total de municípios carentes do estado é maior que sua participação no total de municípios do estado.

Saneamento – Dos 29 municípios da RGInt de Uberaba, 14 (48,3%) declararam, em 2018, possuir política e 18 (62,1%), plano municipal de saneamento básico.  Do total de municípios, 48,3% declararam contar com ambos os instrumentos de planejamento.  

Em relação à cobertura de rede de abastecimento público de água, 75,9% recebiam serviço de abastecimento provido pela Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa); 10,3%, pelas prefeituras; 10,3%, por Serviços Autônomos de Água e Esgoto (Saae). De acordo com o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), em 2018, 92,7% da população residente nas áreas urbanas da RGInt contavam com rede de abastecimento público de água – percentual inferior à média do estado, de 93,4%.

Em 2018, 92,6% da população urbana da RGInt de Uberaba era atendida por rede de esgotamento sanitário, média superior à do estado, que era de 82%. Do total dos municípios da RGInt, 41,4% recebiam esses serviços pelas prefeituras; 34,5%, pela Copasa; e 6,9%, por Saae.

“Naquele mesmo ano, 37,9% dos municípios da RGInt não possuíam esgoto tratado em relação à água consumida, e 44,8% apresentaram percentual acima de 20%. Os maiores percentuais de tratamento foram observados em Nova Ponte (80,4%) e Frutal (80,0%)”, observou o pesquisador Cláudio Cançado.

Atividade econômica – A contribuição da RGInt de Uberaba para o PIB estadual cresceu de 5,2% em 2010 para 5,3% em 2013, e 6% tanto em 2016 quanto em 2018. “A RGInt obteve participação média de 5,6% no PIB de Minas Gerais entre 2010 e 2018”, informou o pesquisador Lúcio Barbosa.

Essa expansão foi contínua e bem demarcada nas atividades do setor de serviços. No caso do Valor Adicionado Bruto (VAB) estadual gerado pelo comércio e demais serviços privados, a variação foi de 4,2% em 2010 para 4,6% em 2013; 4,9% em 2016; e 5,1% em 2018. No VAB gerado pela administração pública estadual, de 3,8% em 2010 para 3,9% em 2013 e 2016, e 4,0% em 2018. A contribuição regional para o VAB da indústria estadual aumentou do início ao final do período, mas com acentuada flutuação durante o processo: queda de 6,5% em 2010 para 6,2% em 2013; forte crescimento, para 8,7%, em 2016; seguido de nova retração, para 7,6% em 2018. Na agropecuária, de 12,6% em 2010 para 13,2% em 2013; 12% em 2016; e 14,0% em 2018.

PIB per capita Em valores correntes, o PIB per capita de Minas Gerais evoluiu de R$ 17,9 mil em 2010 para R$ 23,7 mil em 2013, R$ 25,9 mil em 2016 e R$ 29,2 mil em 2018. Na RGInt de Uberaba, a evolução foi de R$ 25,4 mil para, respectivamente, R$ 34 mil, R$ 41,6 mil e R$ 45,9 mil. Em termos proporcionais, o PIB per capita regional correspondia a 142% em 2010; a 143,3% em 2013; a 160,5% em 2016; e a 157,2% em 2018.  

Exportações – Em 2020, as exportações estaduais registraram crescimento de 4,3% e as exportações da RGInt de Uberaba tiveram retração de 22,1% em razão da queda das exportações de ferro-nióbio, principal produto da pauta. A participação das exportações dos municípios da RGInt correspondeu a 9,5% do total, inferior à participação de 2019 (12,7%) e menor valor registrado desde 2013.

“Em termos de valor, o principal grupo de produtos exportado foi o ferro fundido, ferro e aço, que teve participação de 53,4%. Em relação ao ano passado, houve queda de 13,9 pontos percentuais (p.p)”, afirmou Barbosa. Nesse grupo de produtos, quase a totalidade dos bens exportados se refere ao ferro-nióbio, que registrou queda de 38,2% em valor e 30,2% em volume. As exportações de outros metais comuns também declinaram (-38%), respondendo por 3,6% do total exportado (queda de 1 p.p.).

Em contrapartida, as exportações de açúcares de cana avançaram 37,2% em valor e 37,7% em volume, registrando um salto de participação de 18,5% em 2019 para 32,6% em 2020. Simultaneamente, as exportações de soja recuaram 28,9% em valor e 26,5% em volume, sinalizando que houve priorização do cultivo de cana-de-açúcar, possivelmente em função da agroindústria canavieira presente na RGInt. As exportações de carne e miudezas mantiveram-se no mesmo patamar de 2019, mas sua participação avançou para 4,5% devido ao desempenho desfavorável dos produtos siderúrgicos.

“Chama atenção a riqueza dessas informações e a riqueza da nossa região em termos de produção, do PIB, PIB per capita. Acredito que os dados aqui detalhados possibilitarão o desenvolvimento de políticas e ações que garantam emprego e renda para a população e que gestores públicos e privados possam utilizar essas informações no sentido de investir nos setores-chave que impactam na região”, avaliou o professor da Cepes/UFU Luiz Bertolucci.

Acesse os informativos técnicos sobre a RGInt: http://fjp.mg.gov.br/regiao-geografica-intermediaria-de-uberaba/