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Projeto de leitura re√ļne estudantes de Administra√ß√£o P√ļblica e mulheres privadas de liberdade

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Parceria da Fundação João Pinheiro com o Servas e a Seap acontece no Centro de Referência da Gestante Privada de Liberdade, em Vespasiano

As estudantes Izabela e Rayssa orientam as internas na leitura e produção de resenhas. Foto: Fabricio Goulart

¬†‚Äú[...] esse amor funda prop√≥sitos que transformam os pais e suas vidas de maneira definitiva‚ÄĚ. Este √© um trecho do primeiro cap√≠tulo do livro¬†Di√°rio da M√£e da Alice, da jornalista mineira Mariana Rosa, obra que est√° sendo estudada no projeto¬†2¬™ Chance - Rodas de Leitura, parceria da Funda√ß√£o Jo√£o Pinheiro com o Servi√ßo Volunt√°rio de Assist√™ncia Social (Servas) e a Secretaria de Estado de Administra√ß√£o Prisional (Seap). As atividades tiveram in√≠cio no m√™s de abril no Centro de Refer√™ncia da Gestante Privada de Liberdade (CRGPL), em Vespasiano, e tem como objetivos o incentivo ao h√°bito da leitura nos pres√≠dios e a contribui√ß√£o para a remiss√£o das penas, al√©m da doa√ß√£o de livros √†s bibliotecas prisionais.

A obra escolhida para a primeira fase do projeto re√ļne cr√īnicas escritas pela autora durante o primeiro ano de vida de sua filha, que nasceu prematura, teve paralisia cerebral e desenvolveu a s√≠ndrome de¬†West, epilepsia de dif√≠cil controle. Com um exemplar em m√£os, as mulheres que cumprem pena no Centro participam de um encontro semanal de leitura e produ√ß√£o de textos monitorados por duas alunas do curso de gradua√ß√£o em Administra√ß√£o P√ļblica da Funda√ß√£o Jo√£o Pinheiro. A cada resenha entregue e aprovada, segundo a recomenda√ß√£o N¬ļ 44/2013 do Conselho Nacional de Justi√ßa (CNJ), as internas t√™m direito a quatro dias de remiss√£o em suas penas.

‚ÄúAcho incr√≠vel a oportunidade que estamos tendo de despertar o interesse delas pela leitura. √Č imposs√≠vel fazer uma leitura do mundo sem conhec√™-lo. E os livros s√£o a melhor ferramenta para isso, especialmente na situa√ß√£o em que se encontram, privadas de liberdade‚ÄĚ, salienta a pedagoga do CRGPL, Danielle Viana.

Luana Rodrigues, 23 anos, gr√°vida de nove meses e h√° dois na unidade, diz que participa do programa n√£o apenas pela possibilidade de remiss√£o da pena, mas por sempre ter tido gosto pela leitura. ‚ÄúGosto de livros que demoram acabar e que me prendam √† hist√≥ria‚ÄĚ, diz ela, que acaba de ler o romance¬†Julieta Imortal, de 240 p√°ginas.

Para √Črica Pereira, 22 anos, interna h√° um ano e tr√™s meses, estar presa n√£o a impede de sonhar. ‚ÄúMesmo sabendo que h√° muito preconceito, a vida tem sentido sim e h√° possibilidade de come√ßar de novo, aprendendo com os erros a ser mais forte e mais madura. A gente faz do mundo o que ele √© pra gente‚ÄĚ, acredita. ‚ÄúN√£o quero que meus filhos conhe√ßam o mundo que conheci‚ÄĚ, acrescenta, com o pequeno, de apenas onze meses, no colo. √Črica sonha em ser pediatra e escrever sua autobiografia.

Aprendizado m√ļtuo -¬†A estudante da FJP Rayssa Pacheco participa desta primeira fase do projeto¬†2¬™ Chance - Rodas de Leitura¬†e afirma que lidar toda semana com a realidade de mulheres gestantes ou que acabaram de dar √† luz e que est√£o privadas de liberdade a faz querer contribuir ainda mais para melhorar de alguma forma a situa√ß√£o em que se encontram. ‚Äú√Č complicado n√£o termos respostas para os diversos problemas destas mulheres, mas a experi√™ncia aumenta nossa percep√ß√£o do mundo e da vida, muito al√©m da carreira que escolhemos‚ÄĚ, garante. ‚ÄúEm curto prazo, sabemos que a mudan√ßa pode ser pequena, mas o projeto tem o potencial de fazer diferen√ßa na vida delas, trazendo novas perspectivas, pois h√° outros fatores al√©m da culpa. Elas s√£o muito mais que detentas‚ÄĚ, observa.

Tamb√©m aluna da Funda√ß√£o Jo√£o Pinheiro, Izabela Dias, que divide as tardes de quarta-feira com Rayssa no Centro, sempre teve interesse pela √°rea social e considera esta participa√ß√£o um √≥timo aprendizado. ‚Äú√Č muito bom apresentar possibilidades a essas mulheres por meio da leitura. De forma geral, elas t√™m uma vis√£o muito pessimista em rela√ß√£o √† vida e este primeiro livro, especialmente pelos desafios enfrentados pela autora, ajuda muito na reflex√£o‚ÄĚ, ressalta. ‚ÄúMuitas delas, por exemplo, j√° demonstram interesse em escrever seus pr√≥prios di√°rios, o que nos mostra que estamos no caminho certo‚ÄĚ, comemora.¬†

A parceria da Funda√ß√£o Jo√£o Pinheiro com o Servas e Seap foi firmada por meio da Ger√™ncia de Extens√£o e Rela√ß√Ķes Institucionais da Escola de Governo (Geri). Para o gerente Mauro C√©sar da Silveira, al√©m de permitir aos alunos a viv√™ncia das pol√≠ticas p√ļblicas com as quais ir√£o lidar enquanto gestores, projetos como este agregam a eles experi√™ncias √ļnicas como cidad√£os. ‚ÄúMais que inseri-los na administra√ß√£o p√ļblica como t√©cnicos, nosso objetivo √© formar pessoas conscientes do seu papel social, que possam atuar sempre com a perspectiva de melhorar a vida da popula√ß√£o para a qual trabalham‚ÄĚ, afirma.

Acolhimento - Pioneiro no país, o Centro de Referência da Gestante Privada de Liberdade foi inaugurado em janeiro de 2009 e abriga mulheres privadas de liberdade que estejam grávidas e também todas aquelas do Estado que têm filhos de até um ano. Atualmente conta com 39 internas que dividem quartos equipados com cama e berço e recebem atendimento médico, odontológico e de assistência psicossocial. O espaço possui ainda lavanderia, área de convivência, pátios para banho de sol e refeitório, além de salas administrativas. As portas internas ficam abertas e as presas podem circular pelo espaço com as crianças.

A interna √Črica Pereira sonha em ser pediatra e escrever sua autobiografia. Foto: Fabricio Goulart

 

Assessoria de Comunicação | Fundação João Pinheiro

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