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10.9.2017 - Agronegócio multiplica vagas

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Jornal O Tempo

Domingo, 10 de setembro de 2017

Outros setores da economia pegam carona no bom desempenho da atividade no Estado

 

QUEILA ARIADNE

No fim de semana, a rela√ß√Ķes p√ļblicas Mariana Zonta, 28, vem para Belo Horizonte. Mas, de segunda-feira a sexta-feira, o endere√ßo dela √© em Varginha, no Sul de Minas, para onde se mudou em busca de uma boa vaga de emprego. ‚ÄúEu trabalhava em Belo Horizonte, mas meu posto foi extinto. Ent√£o, minha empresa me ofereceu essa oportunidade no interior. Eu aceitei e estou adorando‚ÄĚ, conta. L√°, o forte da economia √© o caf√©, produto que, mesmo indiretamente, ajuda Mariana a segurar o emprego como gerente de marketing de um shopping, uma vez que o gr√£o mant√©m a economia local aquecida.

Varginha est√° entre as 15 cidades mineiras com maior saldo de contrata√ß√Ķes neste ano, de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Minist√©rio do Trabalho. Entre esses munic√≠pios, sete t√™m a economia ligada ao caf√©, enquanto 11 giram em torno do agroneg√≥cio, como um todo.

O pesquisador da Funda√ß√£o Jo√£o Pinheiro (FJP) Glauber Silveira explica que, se a agropecu√°ria vai bem, os setores de com√©rcio e servi√ßos acabam pegando carona. ‚ÄúO forte de Minas Gerais √© a agropecu√°ria. Por isso, √© comum vermos mais oportunidades de emprego no campo. Entretanto, devemos lembrar que, muitas vezes, s√£o vagas sazonais, ligadas √† colheita, que exigem menos qualifica√ß√£o. Isso contribui para as taxas de desocupa√ß√£o serem menores no interior‚ÄĚ, justifica Silveira, que tamb√©m √© professor de economia do Ibmec.

O √ļltimo c√°lculo do Produto Interno Bruto (PIB) de Minas, feito pela FJP, referente ao primeiro trimestre de 2017, mostra queda de 0,1% ante igual per√≠odo do ano passado. Mas, o desempenho s√≥ n√£o foi pior porque a agropecu√°ria registrou alta de 12,8%, enquanto ind√ļstria cresceu 0,4% e servi√ßos recuaram 0,5%.

‚ÄúCom a crise e a falta de oportunidade nas regi√Ķes metropolitanas, muita gente que veio para a capital em busca de emprego come√ßa a voltar. E quem n√£o encontra vaga em Belo Horizonte vai tentar no interior‚ÄĚ, explica Silveira.

A rela√ß√Ķes p√ļblicas Vanessa Beatriz de Paula, 34, n√£o pensou duas vezes quando apareceu uma proposta no Sul de Minas. Ela estava desempregada havia apenas um m√™s, ap√≥s a empresa onde trabalhava fechar. Mas confessa que, com medo de n√£o receber nenhuma outra proposta, aceitou se mudar. ‚ÄúEu at√© tinha outras entrevistas em vista, para trabalhos em Belo Horizonte. Mas recebi uma boa proposta e resolvi arriscar, pois estava com medo de n√£o encontrar mais nada‚ÄĚ, conta.

Vanessa e Mariana n√£o se arrependem. Elas encaram a mudan√ßa como um desafio e, apesar da dist√Ęncia da fam√≠lia e dos amigos, listam v√°rios pontos positivos de deixar a cidade grande. ‚ÄúA qualidade de vida √© muito melhor. N√£o tem tr√Ęnsito. Come√ßo a trabalhar √†s 9h e posso acordar √†s 8h30. Sem falar no aluguel, que √© bem mais barato‚ÄĚ, afirma Mariana. ‚ÄúO custo de vida √© bem mais baixo‚ÄĚ, refor√ßa Vanessa.

Qualidade de vida pesa na mudança

Wilson Nei da Silva, 55, est√° preparando sua mudan√ßa para Uberl√Ęndia, no Tri√Ęngulo Mineiro, ap√≥s o escrit√≥rio aonde ele trabalhava fechar, h√° dois meses. Sem oportunidades, ele est√° no grupo daqueles dispostos a irem onde a vaga estiver. N√£o tem nada acertado ainda, mas ele est√° confiante. ‚ÄúMinha filha se mudou para l√° porque o marido foi transferido. Ela tamb√©m j√° conseguiu um emprego. Minha fam√≠lia me incentivou, e eu estou encarando isso como um recome√ßo‚ÄĚ, afirma.

Ele lamenta a situa√ß√£o de Belo Horizonte, que est√° obrigando muita gente a deixar a cidade. ‚ÄúTenho um amigo muito experiente, que est√° desempregado h√° quase um ano. Muito desanimador. Ele me disse que vai mandar curr√≠culos para Divin√≥polis‚ÄĚ, conta.

Al√©m de um horizonte mais promissor, Wilson destaca outros ganhos que est√£o por vir com a ida para o interior. ‚ÄúA qualidade de vida √© muito melhor. Para voc√™ ter uma ideia, aqui a gente gasta, em m√©dia, R$ 60 com sacol√£o. L√°, o custo √© de R$ 30. O aluguel √© bem mais barato, e o sistema de sa√ļde p√ļblica √© melhor‚ÄĚ, ressalta.