Imprimir

7.4.2017 - Minas encolhe 2,6% em 2016

Data de publicação .

Forte retra√ß√£o na ind√ļstria, puxada pela minera√ß√£o, e no setor de servi√ßos anulou parte do efeito das lavouras de caf√© e soja, que levaram ao crescimento de 6,6% do agroneg√≥cio

Minas Gerais mergulhou em 2016 no terceiro ano de retra√ß√£o da economia, que atingiu 2,6% em raz√£o da forte crise da ind√ļstria, e em especial da atividade de minera√ß√£o no estado, al√©m do encolhimento do setor de presta√ß√£o de servi√ßos. A queda s√≥ n√£o foi maior gra√ßas ao desempenho excepcional do agroneg√≥cio no ano passado, com crescimento de 6,6%, determinado pelas lavouras de caf√© e soja, de acordo com relat√≥rio divulgado ontem pela Funda√ß√£o Jo√£o Pinheiro, de Belo Horizonte.

Ainda que o recuo do Produto Interno Bruto (PIB, o conjunto da produção de bens e serviços) de Minas tenha sido menor que a taxa negativa de 4,3% apurada em 2015, a reação foi sustentada justo pela performance de uma atividade sujeita a instabilidades do clima e dependente do nível dos preços e dos estoques das chamadas commodities agrícolas, itens básicos cotados no mercado internacional. Contudo, o estado sofreu menos que o Brasil, abalado pela redução de 3,6% do ritmo da economia em 2016.

Minas tamb√©m se favoreceu nessa base de compara√ß√£o do melhor desempenho da agropecu√°ria e das empresas prestadoras de servi√ßos, em rela√ß√£o ao comportamento observado na m√©dia nacional. O agroneg√≥cio brasileiro encolheu 6,6% no ano passado e o setor de servi√ßos se retraiu em 2,7%, ante 2,1% no estado. A ind√ļstria, por sua vez, teve grande influ√™ncia no mau resultado da produ√ß√£o mineira, pelo fato de ter sofrido retra√ß√£o de 6%, a despeito de uma recupera√ß√£o √† luz da taxa negativa de 7,8% em 2015. As f√°bricas brasileiras tiveram recuo de 3,8%, em m√©dia.

A Fundação João Pinheiro destacou que a desaceleração da economia de Minas já era esperada, tendo em vista o desaquecimento que os técnicos verificam desde o início da década. O peso da atividade de mineração no estado contribuiu com uma expressiva variação negativa de 11,2%, debitada à paralisação das atividades da Samarco em Mariana, na Região Central de Minas, como desdobramento do rompimento da Barragem de Fundão, no fim de 2015. Associado a isso, as empresas amargaram queda de preços internacionais do minério de ferro, carro-chefe da extração mineira, e houve um deslocamento da produção da mineradora Vale para Carajás, no Pará.

O agroneg√≥cio mineiro se valeu da expans√£o do volume produzido das estrelas do campo no estado, o caf√© ar√°bica, com avan√ßo de 37,1%, e a soja em gr√£o, com produ√ß√£o 34,7% maior na compara√ß√£o com 2015. De acordo com o levantamento feito pela Funda√ß√£o Jo√£o Pinheiro, a maioria dos demais produtos agr√≠colas do estado apresentou taxa negativa, √† exce√ß√£o de alho, batata-inglesa, cana-de-a√ß√ļcar e feij√£o.