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2.3.2017 - Estado reconhece import√Ęncia das mulheres para fortalecer a agricultura familiar

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Agência Minas

Quinta-feira, 2 de março de 2017

Pesquisa vai construir primeiro retrato da situa√ß√£o socioecon√īmica das trabalhadoras do campo e vai ajudar a fomentar pol√≠ticas p√ļblicas que atendam √†s reais necessidades das mulheres

Apoiar a popula√ß√£o residente na zona rural, em especial as mulheres, √© uma das prioridades do¬†Governo de Minas Gerais. Prova disso √© que est√° em andamento o diagn√≥stico sobre a situa√ß√£o das trabalhadoras rurais do estado. Desenvolvido pela¬†Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agr√°rio (Seda)¬†e a¬†Funda√ß√£o Jo√£o Pinheiro (FJP), o estudo vai embasar futuras pol√≠ticas p√ļblicas que atendam √†s reais necessidades das mulheres do campo.

‚ÄúA nossa secretaria tem um olhar voltado para a infraestrutura e comercializa√ß√£o da agricultura familiar, √† produ√ß√£o agroecol√≥gica, agroind√ļstria familiar e ao cooperativismo. Dentro deste contexto, n√≥s entendemos que √© de fundamental import√Ęncia a valoriza√ß√£o da mulher e fortalecimento da mulher do campo. √Č ela quem produz e, muitas vezes, est√° √† frente da lideran√ßa do neg√≥cio‚ÄĚ, enfatiza o secret√°rio da Seda, Professor Neivaldo.

A pesquisa est√° em andamento em duas frentes. Uma delas vai construir um retrato inicial da situa√ß√£o socioecon√īmica das trabalhadoras rurais em Minas Gerais a partir da an√°lise de dados quantitativos secund√°rios. A inten√ß√£o √© identificar, afinal, quem s√£o as mulheres do campo, suas trajet√≥rias de vida, de lutas e de trabalho com a terra. ‚ÄúEm todas as nossas a√ß√Ķes e pautas temos um olhar especial para a valoriza√ß√£o do trabalho da mulher do campo‚ÄĚ, acrescenta Professor Neivaldo.

Em seguida, o objetivo √© o levantamento, a sistematiza√ß√£o e a an√°lise de dados prim√°rios, quantitativos e qualitativos, que preencham as lacunas identificadas e permitam a constru√ß√£o de um segundo retrato da situa√ß√£o socioecon√īmica das trabalhadoras do campo de Minas Gerais, mais elaborado e completo do que o primeiro.

‚ÄúA pesquisa segue em execu√ß√£o. O trabalho de campo foi realizado entre novembro e dezembro do ano passado. As transcri√ß√Ķes das entrevistas realizadas em campo foram feitas e revisadas‚ÄĚ, destaca a pesquisadora do Centro de Estudos de Politicas P√ļblicas da FJP e coordenadora da pesquisa, Marina Alves Amorim.

Biografia coletiva

Outra frente da pesquisa é a construção de uma biografia coletiva de 12 mulheres do campo. Cada uma delas foi indicada por cada movimento, organização ou rede que ajuda a compor a Articulação de Mulheres do Campo de Minas Gerais, exceto a Central Única dos Trabalhadores (CUT).

A trajetória de vida destas mulheres vai ser publicada em formato de um livro com um encarte contendo um vídeo e um conjunto de materiais didático-pedagógicos para a educação, com o intuito de dar visibilidade às mulheres pelo viés do trabalho.

‚ÄúEstamos trabalhando na an√°lise do material e escrita. O material audiovisual foi devidamente registrado pela Rede Minas, em seis das localidades. Os programas devem ir ao ar a partir de mar√ßo e v√£o vir encartados no livro futuramente‚ÄĚ, explica Marina Alves Amorim.

De acordo com a pesquisadora, o estudo vai permitir que o Estado crie pol√≠ticas p√ļblicas mais efetivas para as mulheres do campo. "A pesquisa vai fazer uma an√°lise fina. Vai mostrar quais pol√≠ticas p√ļblicas funcionam ou n√£o, o que chega at√© essas mulheres. Com base nisso o Estado poder√° criar novas a√ß√Ķes que sejam mais efetivas", acredita.

Empreendedoras do campo

Atualmente, o¬†Instituto Mineiro de Agropecu√°ria (IMA)¬†tem 214 agroind√ļstrias familiares cadastradas. ‚ÄúQuase todas as agroind√ļstrias t√™m uma mulher envolvida. Se n√£o √© ela quem coloca a m√£o na massa, est√° envolvida como gestora‚ÄĚ, explica o fiscal agropecu√°rio do IMA, Andre Almeida Santos Duch.

Uma das produtoras rurais que conta com o apoio do Governo de Minas Gerais, por meio do IMA, √© Denize Azevedo Viana. Em sua pequena propriedade na cidade de Vespasiano, ela e seu marido, Paulo Roberto Resende Viana, produzem queijo Minas Frescal. ‚ÄúEles inspecionam, veem o que precisa de fazer. O IMA est√° sempre presente. Tem um funcion√°rio da agricultura familiar designado justamente para isso mesmo‚ÄĚ, conta Denize.

Enquanto Paulo ordenha as vacas e recolhe todo o leito, Denize √© a respons√°vel pela produ√ß√£o do queijo. ‚ÄúMuitas vezes quem tem os dados de produ√ß√£o e o controle dos produtos vendidos √© a mulher. A maioria dos empreendimentos, quase todos t√™m a figura da mulher direta ou indiretamente, seja na produ√ß√£o ou na gest√£o‚ÄĚ, salienta Andre Duch.

Atualmente, a produ√ß√£o √© de cerca de 100 queijos por dia ‚Äď cada um pesa em m√©dia 500g. Depois de embalado, o queijo √© enviado para as cidades de Lagoa Santa e Belo Horizonte, onde √© vendido por R$ 30, em m√©dia. Parte da produ√ß√£o tamb√©m √© enviada para o Aeroporto Internacional de Confins, onde cada unidade √© comercializada por R$ 59.

O IMA trabalha sob demanda de agricultores familiares que lidam com produtos de origem animal e que têm interesse de regularizar a situação sanitária. O registro do IMA permite a comercialização do produto no estado de Minas Gerais. Para conseguir o registro o agricultor familiar precisa cumprir algumas exigências sanitárias que são constantemente vistoriadas pelo instituto.