FJP apresenta dados e indicadores socioeconômicos da região de Patos de Minas

A Fundação João Pinheiro realizou nesta quinta-feira, 11 de novembro, o webinar Compreendendo as Características Socioeconômicas da Região Geográfica Intermediária de Patos de Minas. O webinar fechou a série de 13 eventos dedicados à apresentação da situação social e econômica das regiões mineiras. Realizada em parceria com a Escola do Legislativo da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) e a Associação Mineira de Municípios (AMM), esta edição da série contou com mediação do professor Márcio Pimenta, da Faculdade de Gestão e Negócios da UFU.

A Região Geográfica Intermediária (RGInt) de Uberaba é composta por 34 municípios que somam 84.497,87 quilômetros quadrados (14,40% da área total de Minas Gerais). Nela, vivem 819,4 mil pessoas, o que corresponde a 3,9% da população mineira.

Aspectos sociais – De acordo com o censo demográfico de 2010, a participação relativa da população da RGInt de Patos de Minas no total da população do estado era de 4%. Em termos populacionais, a RGInt era a quarta menor do estado, à frente apenas das RGInt de Governador Valadares, Barbacena e Uberaba. O tamanho absoluto e relativo de sua população está diretamente relacionado ao fato de ser formada por poucos e pequenos municípios. Em 2010, Patos de Minas era o único com mais de 100 mil habitantes (141 mil) e somente três tinham populações acima de 50 mil: Paracatu (86 mil), Patrocínio (83 mil) e Unaí (79 mil pessoas). “Esses quatro municípios juntos concentram metade da população de toda a RGInt”, observou a pesquisadora Denise Maia.  “Entre os outros 30 municípios, metade possuía menos de dez mil habitantes”, completou.

Segundo o Índice Mineiro de Responsabilidade social, na RGInt de Patos de Minas, estão localizados apenas 3,3% dos municípios carentes do estado e 3,8% da população do estado que vive em municípios carentes. Por outro lado, a RGInt concentra 5,6% dos municípios afluentes do estado e 4,7% da população do estado que vive em municípios afluentes. Nas dimensões Saúde, Educação, Vulnerabilidade e Cultura/Esporte, a participação da RGInt no total de municípios carentes do estado é também menor que sua participação no total de municípios do estado, o que não se observa nas dimensões segurança pública e saneamento/meio ambiente.

Saneamento – Dos 34 municípios da RGInt de Patos de Minas, 12 (35,3%) declararam, em 2018, possuir política e 18 (52,9%), plano municipal de saneamento básico.  Do total de municípios, 35,3% declararam contar com ambos os instrumentos de planejamento.  

Em relação à cobertura de rede de abastecimento público de água, 76,5% recebiam serviço de abastecimento provido pela Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa); 11,8%, por serviços autônomos de água e esgoto (Saae); 2,9%, pelas prefeituras. De acordo com o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), em 2018, 93,4% da população residente nas áreas urbanas da RGInt contavam com rede de abastecimento público de água – percentual igual à média do estado.

“Destaca-se que seis municípios – Cabeceira Grande, Cruzeiro da Fortaleza, Lagoa Formosa, Patrocínio, Presidente Olegário e Rio Paranaíba – têm 100% de cobertura de água. Por outro lado, São Gonçalo do Abaeté tem 66,6% de cobertura apenas”, explicou o pesquisador Frederico Poley.

Em 2018, 83,7% da população urbana da RGInt de Patos de Minas eram atendidos por rede de esgotamento sanitário, média superior à do estado, que era de 82,0%. Do total dos municípios da RGInt, 32,4% recebiam os serviços pela Copasa; 29,4%, pelas prefeituras; 8,8%, por Saae.

No ano de referência, 20,6% dos municípios da RGInt não possuíam tratamento para o esgoto coletado, e 35,3% apresentaram percentual acima de 20%. Os maiores percentuais de tratamento foram observados em Lagoa Formosa (80,0%), Patrocínio (78,0%) e, segundo SNIS, em Lagamar, que tinha 100% de cobertura do serviço.

Atividade econômica – A contribuição da RGInt de Patos de Minas para o PIB estadual evoluiu de 3,2% em 2010 para 3,5% em 2013 e 4,2% em 2016 e 2018. Essa expansão foi contínua e bem demarcada nas atividades do comércio e nos demais serviços privados, que foram de 3,0% em 2010 para 3,3% em 2013, 3,7% em 2016 e 3,9% em 2018.

Por outro lado, no VAB gerado pela administração pública estadual praticamente não houve alteração, indo de 3,8% em 2010 para 3,9% em 2013 e 4,0% em 2016 e 2018. Na agropecuária regional, o movimento foi de acréscimo contínuo: 14,4% em 2010, 15,4% em 2013, 16,7% em 2016 e 17,2% em 2018. Adicionalmente, a contribuição regional para o VAB da indústria estadual também cresceu ininterruptamente durante o período considerado, de 1,8% em 2010 para 2,3% em 2013, 2,9% em 2016 e 3,0% em 2018.

PIB per capita – Em valores correntes, o PIB per capita de Minas Gerais evoluiu de R$ 17,9 mil em 2010 para R$ 23,7 mil em 2013, R$ 25,9 mil em 2016 e R$ 29,2 mil em 2018. “Na RGInt de Patos de Minas, o PIB per capita foi de R$ 14,6 mil para, respectivamente, R$ 21,6 mil, R$ 28,2 mil e R$ 31,5 mil. Em termos proporcionais, o PIB per capita regional correspondia a 107,7% do estadual em 2018”, observou o pesquisador Raimundo Leal.

Exportações – Em 2020, as exportações estaduais registraram crescimento de 4,3% e as exportações da RGInt de Patos de Minas cresceram 27,4%, impulsionadas pelo avanço das exportações de ouro e de soja. “A participação nas exportações mineiras correspondeu a 7,4% do total, superior à participação registrada em 2019, de 5,9%, e maior valor registrado no período de 2010 a 2020. Nesse período, a participação da RGInt saltou de 3% em 2010 para 7,4% em 2020”, afirmou a pesquisadora Carla Aguilar.

O principal produto exportado em 2020 foi o ouro, cuja participação foi de 54,2%, inferior à registrada no ano anterior (56,1%). No entanto, houve crescimento de 23,1% do valor exportado e de 26,7% do volume. O segundo principal produto exportado foi a soja, que registrou crescimento de 63,2% em valor e de 65,8% em volume.

O café respondeu por 17,3% das exportações, inferior à participação de 2019 (-3,6%), mas com crescimento tanto de valor (5,3%) quanto de volume exportado (3%). As exportações de açúcares de cana aumentaram 109,5% em valor e 93,3% em volume, alcançando participação de 4,4% (+1,7 p.p.). As exportações de milho também avançaram 47,2% em valor e 95,3% em volume, respondendo por 1,2% do total (+0,2p.p.) da pauta da RGInt.

Acesse os informativos técnicos sobre a RGInt: http://fjp.mg.gov.br/regiao-geografica-intermediaria-de-patos-de-minas/