FJP apresenta características socioeconômicas da região de Uberlândia

A Fundação João Pinheiro realizou nesta quinta-feira, 28 de outubro, o webinar Compreendendo as Características Socioeconômicas da Região Geográfica Intermediária de Uberlândia. Realizado em parceria com a Escola do Legislativo da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) e a Associação Mineira de Municípios (AMM), esse foi o 12º de uma série de 13 eventos dedicados à apresentação da situação social e econômica das regiões mineiras. Nesta edição, a série de webinários contou com mediação do coordenador do Cepes/UFU, Henrique Barros.

A Região Geográfica Intermediária (RGInt) de Uberlândia é composta por 24 municípios que somam 35.513,7 quilômetros quadrados (6,05% da área total de Minas Gerais). Nela, vivem 1,08 milhão de pessoas, o que corresponde a 5,4% da população mineira.

Aspectos sociais – De acordo com o Censo Demográfico de 2010, em termos populacionais, essa era a sexta menor entre as 13 RGInt do estado. A despeito de Uberlândia ser o segundo maior município do estado, com 615 mil habitantes, e concentrar 57% do total da população da RGInt, o tamanho da população da região está diretamente relacionado ao fato de sua composição ser formada por poucos e pequenos municípios.

Com exceção de Araguari (112 mil habitantes) e Ituiutaba (99 mil habitantes), os demais municípios da RGInt possuíam, à época do Censo, menos de 50 mil habitantes, sendo que metade dessas localidades tinham população abaixo de 10 mil pessoas. Grupiara, com 1,4 mil habitantes, foi o município da região que registrou o menor contingente populacional. “No entanto, a taxa de crescimento da RGInt foi a segunda maior de Minas Gerais entre 2000 e 2010: 1,5% ao ano”, explicou o pesquisador Olinto Nogueira.

Segundo o Índice Mineiro de Responsabilidade social, na RGInt de Uberlândia  estão localizados apenas 2,4% dos municípios carentes do estado e 2,5% da população do estado que vive em municípios carentes. Por outro lado, a RGInt concentra 4,2% dos municípios afluentes do estado e 8,1% da população do estado que vive em municípios afluentes. No entanto, nas dimensões Educação, Segurança Pública e Saneamento/Meio Ambiente a participação da RGInt no total de municípios carentes do estado é maior que sua participação no total de municípios do estado.

Nas demais dimensões – Saúde, Vulnerabilidade e Cultura/Esporte – a situação da RGInt de Uberlândia é claramente melhor que a do estado. “Destaca-se a dimensão Vulnerabilidade: nela, nenhum município da RGInt está entre os 25% em pior situação no estado e quase metade dos municípios (45,8%), onde vivem 90,8% da população da RGInt, estão entre os 25% em melhor situação no estado”, afirmou a pesquisadora Priscilla Costa.

Saneamento – Dos 24 municípios da RGInt de Uberlândia, 10 (41,7%) declararam possuir política e 12 (50,0%) Plano Municipal de Saneamento Básico em 2018. Do total de municípios, 41,7% declararam contar com ambos os instrumentos de planejamento. 

Em relação à cobertura de rede de abastecimento público de água, 54,2% recebiam serviço de abastecimento provido pela Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), 20,8%, por serviços autônomos de água e esgoto (Saae) e 16,7%, pelas prefeituras. De acordo com o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), em 2018, 95,0% da população residente nas áreas urbanas da RGInt contavam com rede de abastecimento público de água – percentual superior à média do estado, de 93,4%.

Em 2018, 90,1% da população urbana da RGInt de Uberlândia eram atendidos por rede de esgotamento sanitário, média superior à do estado, que era de 82,0%. Do total dos municípios da RGInt, 33,3% recebiam esses serviços pelas prefeituras, 20,8%, por Saae e 12,6%, pela Copasa. No mesmo período, 29,0% dos municípios não possuíam tratamento para o esgoto coletado e 33,3% apresentaram percentual acima de 20%. Os maiores percentuais de tratamento foram observados em Araporã (97,5%) e Ituiutaba (91,3%). Segundo SNIS, no ano de 2018 Gurinhatã estava 100% coberto pelo serviço de tratamento de esgotos.

Atividade econômica – A contribuição da RGInt de Uberlândia para o PIB estadual evoluiu de 8,0% em 2010 para 7,8% em 2013, 8,7% em 2016 e 8,8% em 2018. Essa expansão foi contínua e bem demarcada nas atividades do comércio e demais serviços privados, de 7,7% em 2010 e 2013 para 8,3% em 2016 e 8,5% em 2018. No VAB gerado pela administração pública estadual, praticamente não houve alteração, de 5,5% em 2010 e 2013 para 5,6% em 2016 e 2018. A contribuição regional para o VAB da indústria estadual de início decresceu acentuadamente, de 8,2% em 2010 para 6,9% em 2013, mas recuperou-se posteriormente para 8,5% em 2016 e 9,2% em 2018. Flutuações acentuadas foram registradas na contribuição da agropecuária regional para o VAB estadual: 11,3% em 2010, 12,0% em 2013, 10,1% em 2016 e 10,8% em 2018.

PIB per capita – Em valores correntes, o PIB per capita de Minas Gerais evoluiu de R$ 17,9 mil em 2010 para R$ 23,7 mil em 2013, R$ 25,9 mil em 2016 e R$ 29,2 mil em 2018. Na RGInt de Uberlândia, ele o fez de R$ 26,6 mil para, respectivamente, R$ 33,9 mil, R$ 41,4 mil e R$ 46,7 mil. “Em termos proporcionais, o PIB per capita regional correspondia a 48% da média estadual no início do período considerado, em 2010, e a 60% no final do período, em 2018”, observou o pesquisador Thiago Almeida.

Exportações – Em 2020, as exportações estaduais registraram crescimento de 4,3% e as da RGInt de Uberlândia registraram expansão de 23,3%, impulsionadas pelo avanço das exportações de soja. A participação das exportações dos municípios da RGInt de Uberlândia correspondeu a 7% do total, superior à participação registrada em 2019 (5,9%) e maior valor registrado no período de 2010 a 2020.

O principal produto exportado – 40 % do total da RGInt – foi a soja, que registrou ganho de 12,9 pontos percentuais (p.p.) em relação a 2019. O crescimento do valor exportado foi de 82,3% e o de volume, de 83,4%.

Já as exportações de carnes e miudezas, majoritariamente compostas por carnes de bovinos congeladas, recuou 7,2 p.p., respondendo por 23,7% do total. Apesar do aumento do volume (1,4%), o valor exportado decresceu 5,7%. A participação das exportações de resíduos e desperdícios das indústrias alimentares também declinou (-6,7%), registrando 15,2% do total.

A participação das exportações de açúcares e produtos da confeitaria, com destaque para os açúcares de cana, saltou de 1,3% para 6%. O valor exportado cresceu 480% e o volume 530,5%. Em contrapartida, as exportações de milho reduziram 52,3%, sinalizando a priorização do cultivo da cana-de-açúcar.

O café, cuja participação nas exportações foi de 5,9%, foi o quinto principal produto exportado pela RGInt em 2020. Houve crescimento de 18,8% do valor exportado e de 12,3% do volume.

Acesse os informativos técnicos sobre a RGInt: http://fjp.mg.gov.br/regiao-geografica-intermediaria-de-uberlandia/.