Salão Vivacqua — Lembrar para Lembrar

Os livros de memória, de descrição do tempo passado, têm importância e eficácia quando vão além da informação histórica e sociológica, respondendo assim à emergência do presente e do futuro. São, é verdade, sutilmente perigosos e dispensáveis quando se limitam a ponderações sentimentais e afetivas, em que o "longe" pode tornar-se catarse, valorizando apenas o saudosismo ou a frustração (e, com isso, a alienação do novo), despojando-se da pretensão de indicadores de caminho, com o risco de se fazerem de caráter doméstico e subtraírem o interesse maior de estudos e redescoberta de valores. Então, a palavra "saudade" os qualifica com o textos menores, vale dizer, como utopia da felicidade que o olhar de hoje cristaliza como padrão de reminiscência, e não de qualidade e repertório positivo. Fernando Pessoa, o grande poeta português, conseguiu sintetizar essa visão e percepção distorcida do "outro tempo" nos seguintes versos: Eu era feliz? Fui-o outrora agora.

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Engenheiro Aarão Reis: O Progresso Como Missão

Dentre os novos objetos da reflexão histórica internacional, afigura-se a biografia intelectual, cujos enfoques vêm sendo discutidos numa série de trabalhos ao longo dos dois últimos decênios. Os textos metodológicos atestam também as relações entre a biografia intelectual e a micro-história. A proposta desta última, que consiste em fazer do "nome" - próprio, individual, único - o ponto de partida para a construção de uma nova modalidade de história social, marcou época.¹ A escolha do individual não significa pensá-lo como contraditório ao social: seguir o fio do itinerário particular de um homem implica inscrevê-lo num grupo de homens que, por sua vez, são situados na multiplicidade dos espaços e tempos de trajetórias convergentes. As séries documentais, aparentemente circunscritas a um indivíduo, acabam indicando situações vividas em comum: no tempo curto de uma existência cujo espaço é mais ou menos restrito, na longa duração de um universo cultural sem fronteiras. Uma experiência social é assim restituída na complexidade dos seus aspectos mais diversificados. Não há, portanto, oposição entre história local e história global; a primeira é uma "modulação particular" da segunda.²

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Um Século de História das Artes Plásticas em Belo Horizonte — Parte 1

Neste trabalho estudamos a percepção e as concepções do artista popular, seu modus vivendi, sua produção artística e sua inserção na sociedade de consumo, visando registrar e enriquecer as pesquisas sobre a arte popular em Belo Horizonte, da fundação da cidade até os dias atuais. Abordar um século de manifestações da arte popular na capital mineira é um desafio, pois, além dessa longa duração, resistente a mudanças apesar das inúmeras gerações, temos ainda o tempo curto, responsável pelo dinamismo e pelas mudanças no ritmo social.¹ Ao estudioso cabe, portanto, estabelecer as estruturas básicas, quase imunes às transformações, e apontar os acontecimentos que motivaram as alterações na relação autor-obra-consumo.

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Um Século de História das Artes Plásticas em Belo Horizonte — Parte 2

Nosso objetivo neste trabalho é mapear a situação das artes plásticas em Belo Horizonte nos anos 60 e 70, focalizando a emergência das neovanguardas e a formação da arte contemporânea. Discutimos a questão da vanguarda e da contemporaneidade a partir de referências teóricas e fazemos um recorte no circuito artístico da cidade, apontando - além de eventos polêmicos - artistas, críticos e galeristas cujo trabalho é marcado pela inovação.

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Panorama de Belo Horizonte – Atlas Histórico

Em 1894, o grande mestre francês, Paul Vidal de Lablache, publicava um atlas que representou, a época, extraordinária inovação. O Atlas General - como se denominou a obra - foi elaborado a partir de levantamento documental e de trabalho exaustivo de gabinete. O material assim obtido foi, então, submetido a um tratamento cartográfico do mais alto nível. Além disso, trouxe algumas grandes novidades. Em primeiro lugar, era simultaneamente geográfico e histórico, pois Lablache tinha a convicção de que uma abordagem estava intimamente ligada a outra. Em segundo lugar, a forma de apresentação original fazia com que, para cada região tratada, um certo número de mapas e encartes, organizados tematicamente, aparecesse de maneira justaposta, de modo a estimular o leitor a visualizá-los conjuntamente, compará-los e, a partir daí, estabelecer o maior número possível de conexões. Em resumo com Vidal de Lablache o atlas, pela qualidade estética da apresentação, continua a ser objeto de contemplação, mas, a partir de Lablache, ganha nova e fundamental dimensão, a de poderoso estímulo a reflexão.

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Saneamento Básico em Belo Horizonte: Trajetória em 100 Anos — Os Serviços de Água e Esgoto

Em 1973, quando o antigo Departamento Municipal de Águas e Esgotos de Belo Horizonte (DEMAE) foi absorvido pela Companhia Mineira de Águas e Esgotos (COMAG), processava-se uma mudança de nomes e de vinculação institucional. Pouco tempo depois, em 1974, nova mudança de nomes: a COMAG é rebatizada de Companhia de Saneamento de Minas Gerais (COPASA/MG).

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Belo Horizonte e o Comércio: 100 Anos de História

Não foi outro desejo senão o de resgatar um pouco da história do comércio de Belo Horizonte, no ano de seu centenário, que levou a Federação do Comércio do Estado de Minas Gerais a promover este audacioso projeto de reviver e ordenar os fatos mais marcantes da atividade comercial ao longo desses cem anos. Em parceria com a Fundação João Pinheiro, por intermédio de seu Centro de Estudos Históricos e Culturais, entidade mais que credenciada a executar esse tipo de trabalho, temos a honra de entregar aos empresários do comércio e a toda comunidade este documento marcante da história da nossa cidade.

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OMNIBUS: Uma História dos Transportes Coletivos em Belo Horizonte

Poucos são os serviços públicos que manifestam as potencialidades e os limites de uma cidade de forma tão abrangente como o de transporte. Instrumento poderoso para unir pessoas, encurtar distâncias, possibilitar trocas e atender aos mais diferentes desejos, constitui, também, espaço de socialização, posto que coletivo, de convívio, de encontros, lugar privilegiado de se observar a cidade, suas ruas e avenidas, praças e jardins, seus contornos, sua gente.

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