Salão Vivacqua — Lembrar para Lembrar

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Os livros de memória, de descrição do tempo passado, têm importância e eficácia quando vão além da informação histórica e sociológica, respondendo assim à emergência do presente e do futuro. São, é verdade, sutilmente perigosos e dispensáveis quando se limitam a ponderações sentimentais e afetivas, em que o "longe" pode tornar-se catarse, valorizando apenas o saudosismo ou a frustração (e, com isso, a alienação do novo), despojando-se da pretensão de indicadores de caminho, com o risco de se fazerem de caráter doméstico e subtraírem o interesse maior de estudos e redescoberta de valores. Então, a palavra "saudade" os qualifica com o textos menores, vale dizer, como utopia da felicidade que o olhar de hoje cristaliza como padrão de reminiscência, e não de qualidade e repertório positivo. Fernando Pessoa, o grande poeta português, conseguiu sintetizar essa visão e percepção distorcida do "outro tempo" nos seguintes versos: Eu era feliz? Fui-o outrora agora.

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